Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Vontades

Arre! Que é sempre a mesma coisa! Porque tem ela de complicar tudo? Ligar nas horas mais inconvenientes? Suspeitar das coisas mais absurdas? Tudo bem que eu goste de tomar um copo com os meus amigos e chegue tarde ao Sábado à noite. Mas será que ela tem razões para desconfiar que estou com a minha ex? Sim, ela às vezes aparece lá. Com o psicótico do novo namorado; essa é outra que tem o "complicógrafo" ligado. Só quero sentar-me à mesa do café com o fino a abrilhantar a minha visão e o meu espírito, falar do estado da Nação, do meu Benfica e esquecer as matrizes e fórmulas da minha tese, os artigos que ainda tenho de redigir, das tarefas e colaborações no laboratório. Ela apenas passa os dias em estagiozecos no hospital, podendo chegar feliz e contente às horas que lhe apetecer, ir às compras se lhe apetecer, passear se lhe apetecer... A verdade é que fica em casa a estudar ou vai para o laboratório da sua faculdade ajudar lá nos projectos dela. Talvez devesse arranjar vida própria; as coisas entre nós poderiam melhorar. Que horas são? Meia noite. 00h03. Ainda é demasiado cedo e já se vai deitar. Tive que prometer que passava por lá antes de voltar para casa.

Vou mas é aproveitar que estou "livre". Ha ha ha! Essa piada é boa João; és um palhaço, pá! (E um bom amigo; naquela altura, só contigo poderia falar e não me decepcionaste) Para onde estará o Bruno a olhar? Ah! A rapariga que entrou no café. Percebo: tudo no sítio. Mas a forma como se mexe... Algo errado: ela sabe que está a ser olhada pela mesa do cinco rapazes e mesmo assim provoca. Ela está à "caça". Odeio quando isso acontece: acaba sempre mal. Cuidado, Bruno. E o Miguel, verborreico como sempre. Precisa de trabalhar menos, o coitado. Não, no laboratório ele precisa de produzir mais. As saídas é que estão em falta. Já passo os dias inteiros com ele, mas não consinto em deixá-lo só. Ha! Acesa discussão sobre futebol: adoro isto! Arreliar o Bruno com as suas tendências portistas. 'Tou com sede. Mais um, malta? A mulher até é interessante, gira - às vezes sou demasiado crítico. O Miguel está bem, no meio da malta. E ela está em casa a dormir, tudo está bem.

Dormir... Estou com sono. O Chico diz que são duas da manhã e já estou a cair para o lado. Já não aguento as noitadas como antes. E ainda tenho que passar lá. Despeço-me. O Chico faz pouco de mim: diz que pareço um cãozinho. E estou pronto para lhe dar uma sova como se de uma besta se tratasse. Todos se riem e viro as costas com um "até amanhã". O ar frio estala na minha face, mas não me chega a arrepiar; simplesmente acorda. E se o Chico tem razão? Se no meio da minha renegada devoção encontro alguém, amanhã, que virará o meu mundo ao avesso? Que será dela? Quem serei eu então? Há uma profunda tristeza que me assola o coração etanolizado, que me sobe à garganta como uma agonia. Não. Não me vou deixar vomitar. Não estou embriagado. Porquê isto? Mas revejo o olhar o Chico. O sorriso malicioso esconde um brilho de admiração qualquer que nunca cheguei a entender. E entenderei a estas horas e com este frio?

Estou a chegar. Espero ainda ter comigo as chaves que me deu para alguma eventualidade urgente. Não me apetecia ficar cá fora ao frio à espera que chova antes de chegar ao intercomunicador para me abrir a porta. O elevador para o penúltimo andar faz mais barulho que o esperado, a estas horas matutinais. Não a queria acordar - juro que não quero! No escuro (para não alarmar as vizinhas), tento acertar com a chave na fechadura blindada do seu castelo. Com movimentos desajeitados, nervosos, mas silenciosos. A porta abre-se a custo e para o corredor transborda um doce cheiro fresco que nunca cheguei a perceber o que era nem de onde vinha. Ainda bem: não acordou. A sua silhueta está decalcada por baixo dos cobertores de lã; a memória daquele calor feminino atrai-me para mais perto. Os cabelos sobre a almofada, um rabo de cavalo tempestuoso que lança para mim uma torrente de doce frescura que me inunda e me revitaliza. Apetece-me tanto deitar-me só ao seu lado, sem a acordar. Não me posso deixar adormecer; tenho que ir para casa. O meu nariz frio toca levemente no lóbulo da sua orelha. Primeiro um arrepio (Oh não! Acordei-a. Não queria). Lentamente, o recorte da sua bochecha iluminada pela noite insufla-se num sorriso. Ponho o meu braço ao redor do vale coberto que adivinho ser a sua cintura e suspiro de cansado. Sei que daqui a algumas horas irá acordar a pensar que bom é ser Domingo e que bom é ter-me ao seu lado.

Lapin

Sábado, Novembro 14, 2009

Tempo



A noite começa sempre assim. Estou cansada. Tu também estás cansado. Cansámo-nos? Um ao outro? Só de entrar pelo quarto adentro? Só de escutar o burburinho desinteressante do algodão sobre a pele? De ouvir a cama ranger de cansada (cansámo-la também?) sob o peso dos nossos anos juntos? Só de mergulhar os pés nos lençóis frios de Outono? Que cansados estamos nós...

Nem força tenho para pegar num romance de cabeceira e inspirar-me. Nem força tenho para incentivar a minha mão a acariciar-te a barba grisalha. Nem força tenho para te olhar com olhos de fogo, cheios de paixão. Nem força tenho para fingir que estou acordada. Mas não faz mal... Tu também, força, não tens.

E nesta manhã que a sucede, cansados estamos nós - não das pernas, dos braços, nem do coração - mas de corrermos de um lado para outro, de nos despacharmos com palavras amargas, de cuspirmos para o lavatório o mesmo sabor a menta-café, de trancarmos tudo (os nossos corações?) com gestos mecânicos. Penso nestas coisas enquanto deslizo, enfim só, pelas margens do rio plúmbeo num comboio apinhado de gente. (Nunca mais estou só?)

Já nem forças tenho para perguntar o que correu mal. Porque não só me acharias paranóica, como também sei que todos os nossos amigos estão assim: envelhecidos de cansaço, deixando-se meramente estar. Já nem forças tenho para ter ciúmes. Porque teremos iguais probabilidades de encontrar amantes na próxima esquina (iguais a zero). Quem neste mundo, para além de mim, iria olhar com interesse para o teu corpo cansado? Quem iria ver um Homem para além dum grande fardo? E não to digo com desdém! Tu sabe-lo, lá bem no fundo. E pensa-lo também de mim. E sei-o também; penso-o também. Que tristes somos nós! Cansados e velhos, e sós.

Se fosse nova, dir-te-ia que me fosses levar a jantar a um restaurante recôndito e me segurasses na mão enquanto caminhássemos sorridentes para o carro. Que me trouxesses orquídeas e me beijasses doce e ardentemente. Que tivesses uma vontade incontornável de me ver, mesmo estando a meio de terminar um projecto importante. Se fosses novo, soltaria o meu cabelo longo contra o vento e olhar-te-ia com cumplicidade. Também cederia ao peso da tua mão contra a minha lombar, chegando-me tão perto de ti. Igualmente, acordar-te-ia a meio da madrugada a meio de uma tempestade e amar-te-ia com toda a força da minha juventude.

E amar-te-ia? Não. Eu amo-te. Hoje tal qual ontem. Hoje tal qual amanhã. Um amor que não esmorece, meramente se esquece que existe, existiu, existirá. E acobardamo-nos sob a presença desse espectro. Mas eu amo-te, L. Essa é a Verdade.

Fleur

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009


Conheço um lugar fantástico, o qual apelido de "meu esconderijo". Por ser secreto, não vou lá tantas vezes quanto gostaria. Por ser recôndito, não o revelo a ninguém salvo raras excepções.

Tem Primavera no ar, uma brisa quente que arrasta para longe as sombras nebulosas e plúmbeas da estação anterior. Tem luar, porque faz noite, de uma lua quase parturiente, cheia de graça. Tem estrelas - tão alto que paremos estar acima dos telhados, dos montes, do rio... Tem o sigilo da solidão procurada e encontrada.

Um cargueiro dirige-se a alto-mar fazendo pontaria para o negrume entre os farois da costa e do ilhéu de Sao Julião. Parece-me um caracol em prenûncios de Estio, mas sei que imóvel estou eu e que nunca atingirei, por meu próprio pé, andamento equivalente. Ao longe a ponte liga montes e vales de um mesmo país desconexo. O clarão é evidente: vem de Lisboa e provoca cegueira ao céu e a tudo. Um zumbido leve de colmeia adormecia, que se confunde com o murmúrio fluvial, surpreende-me por ser uma nova sensação no meu catálogo estesiológico. E a alvura leitosa no rio - que imutável! - faz-me chorar por me encontrar feliz, mas incompleta. Sei que há muito mais para vir nesta Lisboa minha.

Sábado, Julho 19, 2008

Classicismo analógico


E começou a pré-época futebolística. Sem ter dado por isso, sem avisar, sem pedir permissão... Não obstante da recente febre do Euro2008, já estamos nós a ouvir notícias de transferências de jogadores no telejornal e a assistir à transmissão em directo de jogos amigáveis. E eu que ainda me preparo para gozar algo que se assemelhe a férias, já vou ouvindo um ou outro vizinho frenético a gritar "Yeaahhh!" num qualquer jogo de um qualquer clube. Enquanto o povo se distrai, os níveis de catecolaminas e testosterona regressam ao habitual, os jogadores vão matraqueando a bola como se disso dependesse a sua existência; tudo regressa ao normal apesar do calor tórrido.

As tardes solarengas despertam no meu âmago um desejo incontornável de viajar no tempo e no espaço, chegar àqueles lugares que só a mente consegue atingir, desfrutar de prazerosas sensações que só o meu lobo frontal consegue recriar. A Antiguidade Clássica sempre foi uma predilecção pessoal nestas incursões mentais. Revivê-la é saber com satisfação que todos os pequenos progressos na Ciência, Política e Educação vir-se-iam mais tarde a amplificar, qual nascente na Serra de Albarracín que se finda num esplendoroso Tejo; recontá-la é chegar à conclusão que, depois de tantas guerras, nada mudou realmente.

Os anfiteatros da Grécia Clássica e, mais tarde, os coliseus em Roma eram os locais eleitos para o divertimento das massas. A tais paleo-estádios-de-futebol, iam os populares romanos à procura de emoção, independentemente da carnificina do espectáculo, o importante sendo vibrar ao rubro num arrebatamento inconsciente e patológico. Na arena, eram leões que devoravam cristãos, escravos e prisioneiros de guerra que se digladiavam até à morte. Nos bastidores eram transacções numerárias de homens-livres que compravam tais escravos para seu lucro e outros que lançavam apostas na esperança de amealhar alguns trocos com as prendas do Acaso. As mulheres? Essas quedavam-se em casa, no seu gineceu, no laboroso prazer de cuidar do lar e das crias.

Hoje as transacções são de jogadores não por meros dinheiros mas por milhões. A Bet&Win lucra e já patrocina a liga. As mulheres é que já podem ir ao estádio, gritar, fazer espectáculo, mas Deus lhes livre de perceber de futebol!

Como vêem, nada mudou.

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Ode Simbiótica

Certamente todos crescemos a ouvir: "Nunca estamos sós! Deus acompanha-nos para todo o lado". E, mais uma vez, - numa das minhas numerosas incursões pela busca da verdadeira verdade - não posso deixar de concordar com o que o senso comum durante tanto tempo me impingiu. Senão vejamos...

Homo sapiens sapiens não está - de facto - só na sua existência, enquanto animal com locomoção bípede com uma rede neuronal extremamente eficaz que lhe permitiu transformar uma savana num resort exótico na Namíbia. Para todo o lado leva igualmente a sua "flora", id est, os bichinhos, bichões e bicharocos comensais que vão vivendo à custa da sua abundância.

Para começar, a flora cutânea, conjunto de bactérias e fungos que se passeiam alegremente entre os pelos dos braços, o acne juvenil e a pele descamativa depois de uma tarde ao sol sem a devida protecção. Não vale a pena fazerem essa cara de enjoados, porque é mesmo assim (e começa logo no dia em que nascem, ao atravessarem, chorosos, o canal de parto). Não adianta de nada arranjarem à pressa - histéricas! - desinfectantes para se limparem devidamente. A verdade é que o nosso organismo defende-se muito bem desses amiguinhos inofensivos , que até ajudam na "higienização" da pele.

Podemos passar para a flora oral, que, além de nos darem o hálito matinal, nos fazem gastar centenas com as idas aos dentistas. Todos conhecem a flora intestinal celebrizada nos anúncios dos iogurtes.

De relevo histórico, posso salientar a flora naso-faríngea que, embora inofensiva num infante ranhoso, foi capaz - segundo os antropólogos - de ajudar na dizimação de populações geograficamente isoladas como os Maias, Aztecas e Incas. Claro que esta contaminação não terá sido, de todo, uma faca de gume uno, tanto que foi precisamente à custa flora urogenital que os espanhóis violadores trouxeram para o Velho Continente a sífilis.

Não me querendo extender mais sobre um assunto que tanto me deleita, julgo ter conseguido comprovar que o Homem, no seu drama existencial, deve, antes de se atirar da ponte de 25 de Abril abaixo, pensar nesses seres vivos que tanto o podem ajudar em tal momento de insane solidão. Quanto à segunda premissa inicial, os mais descrentes poderiam levantar a seguinte questão retórica: "Então deus é flora, tipo Tico & Teco?"

Quinta-feira, Maio 29, 2008

O cheiro de Lisboa (III)

E a saga continua...
Foi na pré-adolescência (naquela altura em que nos ensinam todos os clichés românticos, vendendo-nos essa definição de Amor) que me impingiram a ideia de que o pôr-do-sol seria o cenário mais idílico e, daí, perfeito para a Paixão. Alguns anos mais tade apercebo-me que não há luz mais bela do que a matinal que invade a janela do quarto mal puxamos ruidosamente pelos estores, que tudo toca e tudo faz resplandecer no seu branco mais dourado; que no caminho para o trabalho tudo faz reluzir e espelhar a cada curva, a cada recorte de telha e cal, em cada retalho de céu e de mar.

E é então, no embalo do transporte público, tomando banhos de cor e de luz, que vou lentamente acordando para o fantástico! dia que se me depara. Tudo o que passou até então (o agitado despertar, o arrepio da água gélida pelas costas, o bater das portas do vestuário, o sabor queimado das torradas de pão duro) parece ser a remenescência de delírio de um qualquer morto-vivo em filmes de horror. Deixo-me levar pela doce inércia do meu corpo à velocidade citadina - de pára-arranca - sem me exaltar.

É à última paragem que minha alma se espreguiça num rasgo último de sonolência e me deixo sair do veículo, pisando a calçada como Gata Borralheira apressada pelos corredores do palácio após a meia-noite. E comigo avivam-se os demais transeuntes que começam aí a sua maratona profiláctica de atrasos. À medida que me deixo levar por esse mar de gente, tropeço num longo guarda-chuva bengala de alguém. Ao não ouvir retribuição de desculpas, irrito-me pela primeira vez no longo dia. Levo um encontrão de alguém com mais pressa do que eu e, ao me aprontar para ripostar, meus bulbos olfactivos são insultados com uma núvem de perfume feminino que se aerossoliza instantaneamente com o roçar do cabelo tufado da dona no ar envolvente. Ergue-se-me o súbito desejo de espirrar, tossir e vomitar! Mas na confusão da sinestesia, meu cérebro queda-se apenas enauseado.

Tudo isto apenas serviu para que me apercebesse do cheiro a mofo de um casaco vizinho e do pescoço do sr. eng.º - parado e expectante pelo homenzinho cintilante de esperança - tresandando a água-de-colónia barata capaz de afugentar qualquer um, qual vampiro alérgico a alho. Não bastaria todo este sofrimento olfactivo... Vejo tantos cigarros acessos, fumegando fatalmente, desvanecendo-se nas altitudes do smog. Já que não podem fumar ao abrigo de um tecto, têm de o fazer em deslocação. Espero que, quando o catarro se tornar insustentável, deixem de fumar, em vez de deixarem de andar...

Sábado, Março 29, 2008

O cheiro de Lisboa (II)

É nos dias em que estamos mais distraídos, que há um momento, um instante que nos surpreende, nos faz renascer, qual fénix, das cinzas que nós próprios criámos.

O normal transeunte em Lisboa será aquele que anda a passo acelerado. Porque os vagarosos de cabeça no ar são turistas. Porque os vagorosos, cabisbaixos e falantes são reformados. Porque os vagarosos a remexer na cateira como se fossem donos do tempo e a suspirar como se tivessem o peso do mundo nas costas são baixos funcionários públicos. Tudo o resto desloaca-se em carro particular, restando poucos para serem chamados de "os da norma".

Esses da norma, portanto, sofrerem igualmente a evolução com o status financeiro-económico do país, mas não deixam de seguir modas de vestuáro e tecnologias. Seja o telemóvel de última geração em riste, ou o caríssimo leitor de mp3 pirateados - não há transeunte lisboeta sem uma maquineta dessas. Até eu, que cavalgo as calçadas lisboetas com frequência, já aderi à moda de me ensurdecer precocemente com auscultadores discretos, só para impedir o problema gravoso que é ter de concordar com teorias disparatadas sobre o estado da Nação de certa gente em troca de uns milésimos de segundo de silêncio.

Ia, pois, saltitando na calçada, após um dia de tantas intempéries - um igual a tantos outros. Deliciava-me com a sombra das ramagens de árvores caducas, com o abrigo dos prédios contra um vento frio e cortante. Cantarolando, como parola na cidade, a alegria da inconsciencia temporária do que me rodeia - mortalmente distraída. Sentia-me perseguida e pelo canto do olho avaliei o perigo do homem de meia-idade e baixa estatura que me alcançava a passos largos. E de repente - como se de uma facada feliz se tratasse - um ácido inundou-me as narinas. Um cheiro citrino e nostálgico que fez as papilas à superfície da minha língua, empurrada contra o palato, salivarem em êxtase. O meu cérebro parecia invadido por uma doce algia enquanto imaginava a pressão aguda do polegar contra a superficie irregular e luzidia da fruta alaranjada, o libertar das moléculas aromáticas do manto alvo encoberto pela litosfera de cor e, por fim, do jorrar de gotículas de sumo ácido - a experiência extrassensorial de descascar uma laranja com as próprias mãos.

A primeira coisa que me veio à cabeça, quando o homem me ultrapassou, seguindo a sua vida: perguntar-lhe onde fora desencantar as laranjas da minha infância, com aquele mesmo cheiro e sabor. A segunda: por muito bom que um dia na cidade tenha sido, é triste quando a nossa maior alegria é aquele milésimo de segundo que nos devolve aos braços da Mãe Natureza.